O marinheiro se sentou no chão ficando a deriva, permitindo que o vento o levasse para onde quer que fosse. De repente ouve um barulho, como se uma pedra atingisse o seu barco. Amedrontado com o que mais podia encontrar, de vagar colocou apenas os olhos por cima da madeira, só o suficiente para ver o que havia encostado. Era uma garrafa de vidro fosco, fechada com uma rolha que remetia muito as rolhas das garrafas consumidas por seu avô. Aquilo lhe causou curiosidade, então ele se abaixou até a água e ao pegar a garrafa percebeu que ela trazia algumas folhas de pergaminho. Não hesitou em abrir e tirar de dentro aqueles papéis, com a ajuda de um anzol.
O primeiro papel dizia:
“Na vida tudo é uma questão de tempo... paciência... Faça sua parte partindo por ler um pergaminho de cada vez, não leia o seguinte até que tenha entendido e absorvido o anterior, assim como tudo na vida deveria ser feito.”
Aquilo o tocou, com uma profundidade tão intensa que ele não podia deixar de obedecer. Ansioso pela “liberação” do próximo pedaço de papel se pôs a pensar... Entrou em sua cabine e tirou de debaixo do colchão um maço de folhas de papel amassado e um lápis quase sem ponta que sempre lhe serviam muito bem em momentos de solidão, quando o mar agitava e era preciso vomitar alguma coisa que não havia lhe descido bem.
“Não me basta saber da onde venho
Também não me basta saber quem sopra o meu vento
Me basta saber que minhas ações não são abandonadas ao próprio destino
Nem a luz de uma análise científica
Isso não é suficiente
Minha ansiedade é maior que a inteligência
Estranho mundo ímpar
Representar o estado de ser quem se é
Entregue-se a desorientação e deixe o caos se encarregar de destacar uma estrela”
